Eu disse no meu post anterior que iria apresentar os chimpanzés, no entanto, acho que ainda é cedo para tal. Primeiro precisam de passar por um teste de paciência e eu preciso de perceber se estão realmente aptos para os conhecerem. :)
Estou num momento de reflexão e preciso de partilhar convosco.
"Nós pensamos que não, mas a vida dá voltas pequenas! " > No meu caso é verdade!
Desde pequena, sim um dia também fui, porém sempre mais alta que todos os outros... Desde de pequena que gosto de animais. Lembro-me de ir para a casa da minha avó, no campo, e brincar aos veterinários com os gatos. Lembro-me que ainda não sabia escrever, porque brincavam aos professores e inventava uma escrita que só eu entendia. Teria, portanto, uns 4/5 anos. E brincava aos veterinários com os gatos! Fingia que os gatos estavam doentes e, como remédio para a doença, dava-lhes água com açúcar. Não pensem já que os gatos ficaram diabéticos por minha culpa! Se bem me lembro a dose de açúcar era insignificantemente pequena e não ia ao "campo" assim tantas vezes e não me lembro se eles realmente bebiam. Nessa altura, o elefante era o meu animal preferido, até que um dia um episódio infeliz no Zoo de Lisboa, para uma criança de 4 anos, denegriu completamente a sua imagem.
Nessa época não conhecia a profissão de bióloga e lembro-me de dizer que queria ser médica dos animais!
Quando aprendi a escrever, e tenho esta memória bem presente, pois adoro vasculhar os livros da escola antigos, lembro de ter escrito uma composição sobre as focas e lembro-me do desenho que a ilustrava. Quando aprendi a usar o computador, fiz uma montagem com as orcas, recolhi informação em livros e escrevi uma composição sobre elas, que ainda guardo com muito carinho. Nessa altura já sabia dizer que gostava de biologia marinha. Em 1997, a minha mãe ofereceu-me, sabem, aquelas "bolas" com a base plana que têm casinhas lá dentro e ao serem agitadas parece que neva?. Em vez de casinhas e neve, tinha uma orca e água. E lá dizia "Para a minha futura bióloga marinha". Entretanto, também já tinha 3 barbies alusivas à biologia marinha, uma mergulhadora, uma com o golfinho e a outra com a orca! Eram as minha preferidas e brincava com elas na piscina, na praia e na banheira. Sem falar nas inúmeras fotocópias de animais que guardava numa capa com muita estima, tinha leopardos-das-neves, chitas, tubarões, gorilas, chimpanzés etc, etc... Talvez o facto de ter praticado natação, misturado com a paixão pelos animais tivesse moldado a minha preferência pela biologia marinha (com a ajuda do filme Free Willy).
No ensino secundário, mais propriamente na idade do armário, parecia não estar muito certa do queria, outras ideias passaram-me pela cabeça: investigação legal, biologia molecular, genética (sempre, sempre na área de biologia). Mas foi com a ideia da biologia marinha na cabeça, e ao mesmo tempo com receio de me arrepender, se escolhesse especificamente b. marinha, que pus em todas as opções, aquando do concurso à Universidade, "Biologia".
Até ir para Erasmus, a ideia parecia manter-se, no entanto, comecei a interessar-me mais e mais por evolução humana e primatologia.
Quando regressei a Portugal. Apercebi-me que tudo o que sempre quis tinha sido ultrapassado pela vontade de estudar os nossos parentes mais próximos: os primatas não humanos.
- Mas isso foi uma grande volta! - diz o meu lado emocional - de cetáceos para primatas...
Eu não concordo.
É verdade que o meio mudou, da água passou a terra! Assim também eu mudei, deixei de estar dentro de água 7/8 vezes por semana. No entanto, as semelhanças são muito maiores do que pensamos. Ambas as ordens pertencem à classe dos mamíferos, em ambas as ordens encontramos espécies mais sociais, outras solitárias, com capacidades cognitivas elevadas outras menos, têm uma grande área de dispersão e infelizmente muitas espécies estão ameaçadas! Se em vez de primatas tivesse escolhido estudar outra classe de animais: aves, a volta não seria muito maior, seria sempre possível arranjar analogias para ligar as duas classes!
Há muitos milhões de anos atrás todos partilhámos o mesmo ancestral, portanto há muito em comum em todas as espécies. E escolher uma em detrimento da outra, não significa que abandonamos uma por completo e preferimos outra para sempre. Independentemente da escolha continuaremos sempre a remar na mesma direcção: para compreendermos a origem, adaptação e sucesso das espécies num planeta em constante mudança. Para podermos partilhar os nossos conhecimentos com outras pessoas que se dedicam a outras áreas.
Por vezes dou por mim a pensar que mudei da noite para a manhã, e facilmente me esqueço que ambas fazem parte do mesmo dia!
Quando dizem que a vida dá voltas grandes, pensem e reflictam se é realmente verdade!
Ps: Hoje fiz a experiência de controlo com o grupo do Gon, ou seja, as mesmas condições mas sem realizar a tarefa numérica e sem receberem comida.
A Chloe manda cumprimentos. (O vidro está sujo mas percebe-se :) )
Happy grunts,
Renata

Uma delícia este teu "post" e tão verdadeiro!
ResponderEliminarContinua...
:))***
Concordo plenamente que as coisas não dão voltas muito grandes, até porque para chegar onde chegamos hoje foram precisos milhares e milhares de anos.
ResponderEliminarA tua opção pelo estudo de primatas não humanos, tecnicamente não é uma mudança... é apenas um avanço na linha cronológica da evolução, através do ponto onde a cauda de um mamífero marinho se bipartiu e originou as pernas... entre outros passos! O que realmente interessa é fazeres aquilo que gostas :)
Agradeço-te que me tenhas conseguido por a ler... é um passo grande na minha evolução... Ainda mais o facto de falares de mais um filme onde entrei, para além do meu papel de bola no naufrago, "salvem o Wilson" foi das minhas estreias em Hollywood!
Keep up the good work... E diz aí ao macaco mais rápido nos testes: "Challenge accepted!!"
kiss
É verdade sim sr... e eu ainda me lembro de tu a correres atrás dos gatos, a sorte deles é que corriam mais do que tu :)
ResponderEliminarSó tenho uma pergunta:
Se em vez do "Free Willy" tivesses visto o King Kong? :)
Bjins