sábado, 18 de fevereiro de 2012

A fêmea H. sapiens sapiens portuguesa do séc XXI deve ficar em casa a tomar conta das crias e a preparar a cama para o macho!

Em resposta a "Mulher deve ficar em casa”
O novo cardeal, diz que o Estado deve apoiar mais as famílias, para evitar que a mulher tenha de trabalhar fora de casa.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/mulher-deve-ficar-em-casa

Muitas atrocidades têm sido ditas ultimamente! Mais que as outras, esta não tolerei. Vinda de onde vem, e com uma mensagem tão pesada e negativamente nostálgica, senti a necessidade de ripostar.
Assim como as palavras do Presidente da Républica e do Primeiro-Ministro, as dos membros do clero ainda se fazem ouvir e são tidas em grande consideração, infelizmente. Temo que em situações de extrema vulnerabilidade e descontentamente o povo as tome como um bálsamo para atenuar a dor dos seus problemas. Já dizia K. Marx " A religião é o opium do povo". As palavras usadas foram subtis, como sempre são para não ferirem susceptibilidades: "deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora horário reduzido". Sustentadas pelo marido e se forem solteiras ou divorciadas, sabe-se lá por quem...
É fácil os homens falarem acerca das vontades e necessidades das mulheres. Díficil é tentarem compreender as suas verdadeiras motivações. Desde sempre os membros do sexo masculino subestimaram e temeram as capacidades das mulheres, julgando ser a força física o motivo de distinção entre o ser mais "forte" e mais "fraco", não compreendendo que as diferenças poderiam ser uma mais valia, pois estas se complementam. A necessidade de proteger um ser mais fraco (da mesma espécie) de predadores e de outros machos rivais, eram um dos motivos pelos quais as mulheres deveriam ser protegidas pelo homem e estes dar uso à sua maior vantagem. A selva hoje em dia é outra. Muito diferente da que outrora habitámos. Os predadores são outros e o dinheiro tornou-se um requisito necessário (mas não suficiente) para que possamos viver e educar os nossos filhos. Manter a mulher prisioneira de um dever (ou direito) que deveria ser partilhado por ambos os progenitores, não me parece a resolução para "o maior problema de Portugal".
Vivemos numa sociedade monógama, o que pressupõe à partida uma partilha de cuidados parentais, ainda que não seja de forma equitativa. Não tem que ser a mulher a única responsável pela educação dos filhos. Não tem que ser a mulher, anos mais tarde quando o filho crescer, a ter que ouvir “ a culpa é tua não o educaste bem”. Já fomos assim...  Se cada vez somos menos é porque esse não era o caminho correcto e tivemos que nos adaptar às adversidades da vida. Não queiramos voltar atrás!
As mulheres de hoje (provavelmente nem todas) querem ser cultas, trabalhar, não depender economicamente de homens, muitas vezes, ingratos e adúlteros.

(:

É tudo por hoje. Reflictam!

Happy grunts.

Ps: Este texto não foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico.